Mudança de postura – Eleições autárquicas 2009, em Matosinhos
Com a devida vénia ao Matosinhos Hoje
Nuno Almeida foi eleito para o Conselho Nacional da Nova Democracia, na lista da actual presidente do partido, Maria Augusta Montes.
Depois dos resultados pouco satisfatórios alcançados nas últimas eleições autárquicas, a Nova Democracia pretende conquistar os jovens de Matosinhos e a abstenção. O desporto escolar, o fim dos lobbies no urbanismo e a transformação dos bairros sociais são algumas das propostas do partido.
Matosinhos Hoje- Há quatro anos, a Nova Democracia apresentou, nas eleições autárquicas, um candidato à Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, Diogo Tomás. Os resultados ficaram aquém das expectativas?
Nuno Almeida- Os resultados foram fracos. É muito complicado. A Nova Democracia é um partido jovem. Foi fundado em 2003. Na altura, entendeu-se que existia a vontade de se lançar à Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, principalmente com umas políticas e umas ideias direccionadas para os jovens. A intenção não era ganhar. A intenção era fazer passar a mensagem. Só que a mensagem é muito difícil de passar quando não há dinheiro, quando não há imprensa e as pessoas não nos conseguem conhecer. O resultado não foi bom. Há que o admitir.
MH- Quatro anos volvidos, a Nova Democracia cresceu?
NA- A Nova Democracia organizou-se. Tem uma estrutura, tem uma mensagem que quer fazer passar. Ainda não está decidido se a vai fazer passar, mas existem pessoas, existe estrutura, existe vontade e existem ideias para o concelho. Existe também uma diferença de postura. O mal da política em Portugal e da política em Matosinhos não é a política em si. O problema é que, quem faz a política em Portugal, leva ao descrédito. Nós acreditamos que aí conseguimos ser diferentes.
MH- No que respeita às autárquicas, já pensaram a que juntas vão concorrer? Vão concorrer à Câmara, à Assembleia Municipal?
NA- Neste momento, existe, no grupo de trabalho de Matosinhos, a vontade de concorrer às eleições autárquicas. Só não está decidido se vamos concorrer ou não, porque ainda não foi decidido a nível da estrutura distrital.
MH- A Nova Democracia tem espaço em Matosinhos?
NA- Sim. Não queremos ir buscar eleitores ao PSD, ao PS e ao CDS. Acreditamos que o espaço onde podemos ir buscar mais eleitores é a abstenção. Aí há um espaço brutal. A abstenção, na maior parte dos casos, é a maioria. A abstenção é o maior partido em Portugal. Queremos convencer as pessoas que normalmente não saem de casa ao domingo para ir votar.
Em Matosinhos, o eleitoral está muito definido. Não é por aí. O PS governa há muitos anos, manda há muitos anos e está na frente há muitos anos. O PSD, este ano, pode ter uma palavra a dizer, mas é mais por força das circunstâncias do que propriamente àquilo que fez. Não o fez por merecer. Simplesmente lhe caiu no colo a situação. Os outros três partidos políticos, no fundo, vão ter votações consistentes com a média nacional que tiverem.
Propostas
MH- Fale-nos um pouco do projecto da Nova Democracia para Matosinhos.
NA- Temos algumas propostas. Há diferenças de postura que nós gostávamos de ver promovidas na Câmara. Por exemplo, o futebol e a câmara. Acreditamos que existe uma promiscuidade muito grande e utiliza-se muito os clubes de futebol locais como formas de ganhar votos.
Somos a favor do desporto, mas do desporto escolar. Em vez de se construírem estádios municipais para uso dos clubes, devia-se investir num intercâmbio inter-escolas, porque esse não dá votos. Fazer campeonatos inter-escolas nas modalidades seria mais útil para os matosinhenses e para o concelho. Mostrava uma diferença de postura que, a médio prazo, as pessoas iriam acabar por reconhecer em relação ao que se verifica em Matosinhos.
Outra das nossas propostas é o fim dos lobbies das pressões urbanísticas em Matosinhos. S. Mamede de Infesta, Senhora da Hora, Matosinhos e Leça da Palmeira estão completamente transfigurados. Há pouquíssimos espaços verdes. Qualquer espaço serve para por um prédio. Não há, de facto, urbanização bem feita. Há um construir, mas um construir desenfreado.
A proposta mais polémica, e que seria uma medida a longo prazo, é a política dos bairros sociais. Somos contra a ideia do bairro social. Muitas vezes, utiliza-se o bairro social para épocas de eleições para a obtenção de votos. O que se constrói, constrói-se mal. Numa zona residencial, faz-se uma rua a meio. O que acontece? Cria-se uma bolha. Passados dois ou três anos, os prédios têm um péssimo aspecto. Ninguém lá vai, porque tem medo e existe o estigma do bairro social. Dá até mau nome à zona onde está inserida.
Nós acreditamos numa política de longo prazo. Deve-se fazer uma substituição progressiva dos bairros sociais, recolocando as pessoas em prédios individuais, inseridas em zonas residenciais já existentes. Acreditamos que é mais fácil a influência ser positiva para quem seja colocado nessa zona residencial. Pensamos que seria melhor distribui-las pelo concelho.
MH- Que avaliação faz da gestão socialista do concelho de Matosinhos?
NA- Nota-se que Narciso Miranda e Guilherme Pinto são pessoas diferentes. A postura em si mudou, mas as políticas, na nossa opinião, não mudaram bastante.
Um dos princípios que defendemos é a limitação do número de mandatos políticos, com efeitos retroactivos. Ser sempre a mesma pessoa, ser sempre a mesma equipa, com o passar do tempo, cria vícios.
Matosinhos desenvolveu-se. Agora, progrediu no sentido de se tornar um dormitório. Dos 170 mil habitantes de Matosinhos, uns não nasceram cá, mas vieram viver para cá. Estão completamente desenraizados do concelho onde vivem. Não trabalham aqui. Vêm aqui dormir. Não passam aqui os fins-de-semana, porque não há espaços de lazer.
Por: Dulce Salvador



