Manifesto

Por PND em 19 de Maio de 2008

Todos sentimos que o sistema político está a necessitar de um urgente e profundo rejuvenescimento. A lógica do espectro político tradicional é fechada e a sua simples manutenção conduziria, como tem sucedido até hoje, a um beco sem saída. A divisão de metade do país contra metade do país leva a vitórias tangenciais e alternadas de um e de outro lado, sem base social e cultural de apoio suficientes para levar por diante as necessárias mudanças, ou conservar eficazmente os valores perenes – vida, liberdade, justiça, solidariedade – que devem ser mantidos e aprofundados.

Compreende-se hoje que muitas destas divisões são meramente históricas ou artificiais. Cada vez mais surgem grandes causas políticas transversais, como se viu pelos referendos do aborto e da regionalização.

O grande problema parece ser uma “especialização” das forças políticas que, por preconceitos ideológicos, abdicam de abraçar causas que, longe de serem antagónicas, se revelam na prática complementares.

Há votantes da direita que querem a justiça social e a cultura; e grande parte da actual direita não as têm considerado prioridades.

Há votantes da esquerda que querem a ordem e a moderação, e uma política nacional e com valores éticos; ora muita da nossa esquerda não se preocupa demasiado com estas questões…

Perante a crise geral, todos sentimos que algo de novo está para nascer.

A Nova Democracia deseja contribuir para essa política nova. Unindo pessoas de boa vontade, da direita e da esquerda, do centro e sobretudo acima das velhas querelas para, juntos, trabalharem pela renovação de Portugal, com base em propostas concretas que permitam a tão esquecida articulação dos ideais de liberdade, justiça, solidariedade e democracia ética – os quais devem todos ser conjuntamente defendidos, e não apenas representados parcial e antagonicamente.

Orgulhamo-nos, cada um de nós se orgulha, das nossas origens e dos nossos passados políticos. Eles confluem agora num projecto novo, para o qual as diferenças são um capital de experiência que dialecticamente potencia as vantagens competitivas. Outros de nós começam agora a sua caminhada na luta pela coisa pública.

Anima-nos a todos o desejo de devolver a esperança e o entusiasmo aos Portugueses, e sobretudo aos jovens, a quem as velhas querelas ideológicas oitocentistas pouco dizem já.

Na encruzilhada mundial e nacional em que nos encontramos, a alternativa parece ser entre a democracia velha que cada dia mais se desacredita e já não entusiasma nem sequer os seus beneficiários, e o fim da democracia, com fórmulas mais ou menos subtis de confiscar o direito de nos governarmos a nós próprios. Há contudo uma outra possibilidade: uma nova democracia. Fiel ao espírito democrático de sempre, mas com competência, imaginação e rasgo para novos horizontes de esperança.

A Nova Democracia não é um partido revolucionário nem procura disputar espaço político a nenhum dos já existentes. Pelo contrário, procurará o diálogo com todas as forças políticas democráticas tradicionais, para uma renovação pacífica e tranquila.

É o anúncio de uma forma nova de participar na política, em que os valores da liberdade individual, da criatividade, da ética e até da estética se tornem preponderantes. Somos apenas aprendizes dessa nova esperança, cometeremos certamente erros. Mas teremos a humildade suficiente para sempre recomeçar de novo. Sem ideologias rígidas e programas fechados, mas num hemiciclo aberto, uma política aberta…

Convidamos todos os democratas portugueses que partilhem das nossas inquietações e princípios a juntarem-se-nos nesta caminhada cívica. O futuro tem tempo. Mas o futuro começa agora.

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Respostas

7 respostas ao artigo “Manifesto”

  1. André Gonçalo Correia Falcão on 2 Junho 2008 15:35

    Boa tarde.
    Após ler o manifesto,fiquei com vontade de saber mais.Posto isto gostaria de saber se poderia receber da vossa parte mais informação acerca do Nova Democracia.
    Atenciosamente:
    André Falcão

  2. Tiago Silva on 2 Novembro 2008 20:51

    Olá,
    após observar o vosso manifesto gostaria de saber mais alguma coisa sobre o vosso projecto.

    Por exemplo: quais os vossos objectivos politicos?

    Obrigado pela atenção,
    Tiago Silva

  3. João on 10 Novembro 2008 22:02

    Eu acho estas palavras bonitas, mas palavras bonitas são demagogia. Partilho da ideia de liberalismo económico e que Portugal precisa de uma alternativa liberal em todas as frentes. Mas este manifesto é um pouco vago sobre os objectivos do partido e o que li na Wikipedia é mais esclarecedor.

  4. jose gomes on 21 Novembro 2008 22:05

    Congratulo-me com a vontade de uma nova ideia de fazer Política.
    Manifesto curiosidade por acompanhar o evoluir do V/Projecto Político.
    É essencial adoptar Política e Religião como conceitos globais de espaços sociais de programação de regras para a nossa passagem na Terra.
    Toda a solução dos problemas que esmagam o Sistema que governa o Planeta passa pelo diluir do confronto permanente e resultante da obsessão de ideias pessoais numa corrida desenfreada de interesses individuais, que fez surgir prepotentes Instituições Sócio-Político-Económico-Religiosas.
    jose gomes
    equilibriosg@hotmail.com

  5. Miguel Arvelos on 23 Dezembro 2008 14:03

    Boa Tarde
    Esse discurso Cada vez faz mais sentido,Hora vejamos a nossa democracia e uma mentira pois só á dois partidos que alternam o poder entre eles e se vão desculpado um com as falhas do outro e não passamos disto. Vão destribuindo os tachos por este e aquele criando lugares para os familiares e os falam como se os portuguese focem todos atrazados com os sorrisos sinicos, que caracterizam o primeiro ministro José socrates, é tempo de um partido dizer basta chega eu aposto na nova democracia e espero que ela aposte em mim e pessoas como eu..

  6. Luís on 4 Fevereiro 2009 23:55

    Portugal precisa desesperadamente de novos conceitos, novas politicas, muita justiça.
    O tipo de gente que comanda o nosso país não serve. Mas quando um povo tem o hábito de colocar todos no mesmo grupo e achar que todos querem um “poleiro” fica dificil fazer passar uma determinada mensagem. Felicidades á nova presidente do partido, boa sorte e grandes vitórias!

  7. Jlcosta Nogueira on 23 Dezembro 2009 11:35

    Senhores.

    Subscrevo em grande medida o texto, e alguns dos comentários tb. Compreendo até por experiencia pessoal que a oposição esquerda direita seja hoje equívoca e que seja necessário ultrapassá-la mediante uma sintese hegeliana, se me permitem recorrer ao jargão filosófico. Por vezes, apesar das minhas muitas dúvidas(especialmente na economia e no estado) sinto-me tentado a procurar-vos para V. conhecer melhor e talvez colaborar na luta politica; aliás já estive com muito agrado e proveito num Evento V., na fac de direito.Também já V. contactei telefonicamente por diversas vezes, mas é sempre tudo inconsequente e muito dificil o Encontro, pelo menos na Zona de Lisboa. Como se questionaria o famoso déspota oriental “Que fazer?”
    JL





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