Carta aos militantes
Caro(a) Militante,
1. O momento que Portugal atravessa é sem dúvida dos mais difíceis da sua história. O problema não reside apenas na grave crise económica e financeira. Há uma crise de confiança que a todos afecta e que é em larga medida inibidora, de podermos conjuntamente enfrentar o futuro com optimismo. Tanto ao nível político, como no plano da Justiça, cresce a ideia de que nada funciona e quando assim é a apatia e a indiferença dos cidadãos é absoluta. Não é por acaso que todos os estudos revelam um grande desconforto face à democracia, a esta democracia, desde logo porque existe a convicção de que os dirigentes, seja qual for o partido a que pertencem, estão ligados numa teia de cumplicidades. A impunidade é total e o mesmo sistema que duramente condena e pune um cidadão que rouba comida para dar aos seus filhos é brando e complacente com os que roubam milhões e todos os dias destroem o que resta do erário público. As leis são feitas, e mudadas, a preceito. Qual alfaiate que faz um fato à medida do cliente, também o poder legislativo age em função daqueles que quer defender e proteger. O quadro é negro e é perante este quadro, enquanto portugueses, que temos de decidir o que fazer.
2. Como sabe assumi as funções de Presidente do PND em Janeiro de 2009. Assumi o cargo perante circunstâncias excepcionais e no exacto cumprimento de uma estratégia que passava pela aposta num determinado círculo eleitoral. Os resultados não foram, infelizmente, os que esperávamos e aqueles que desejávamos, mas foram aqueles que os eleitores nos entenderam dar. Agora, perante a realidade política nacional e a realidade concreta do espaço que ocupamos como partido, temos necessidade de definir o nosso futuro. Se no Continente e nos Açores o PND não logrou alcançar os objectivos a que se tinha proposto (apesar de pontuais e positivos em Barcelos e nalgumas freguesias), temos de realçar o êxito alcançado na Madeira quer pela eleição de um deputado para a Assembleia Legislativa Regional, quer pela eleição de um vereador na Câmara Municipal do Funchal, a par de eleitos para as Assembleias Municipais do Funchal e de Câmara de Lobos.
3. Nós, não obstante a nossa curta história, temos um activo doutrinário inigualável. Somos autores de propostas políticas inovadoras (lembro a Nova Constituição pensada e elaborada pelo Doutor Paulo Otero, em defesa do sistema presidencialista), e temos, como já referi, eleitos locais e regionais. É suficiente para continuarmos? A resposta terá de ser dada por si e pelos membros do partido. Cabe a todos decidir qual o futuro para a Nova Democracia e por isso convocámos um Congresso para o próximo dia 10 de Abril, em Lisboa. Pela minha parte tenho a consciência do dever cumprido. Não apenas perante o partido, mas essencialmente perante a comunidade a que pertenço. Não sou, nunca fui, nunca tencionei ser uma “política”. Sou uma empresária que um dia quis dar um testemunho e um contributo simples, porém autêntico e dedicado à Nação a que me orgulho de pertencer. Não estou arrependida de ter estado presente na fundação da Nova Democracia, mas, como pessoa prática que sempre fui, gosto de reflectir com frieza sobre a sustentabilidade dos projectos em que me envolvo.
4. Essa reflexão envolve-o (a) a si. E por isso espero a sua presença no dia 10 de Abril, em Lisboa. Juntos decidiremos o que fazer e como o fazer.
Creia-me com consideração,
(Maria Augusta Montes)



