A CRISE NOS TRANSPORTES por António Brotas
Logo a seguir ao acordo ferroviário firmado com os espanhois na Cimeira Ibérica de 2003 deviamos ter dado uma altíssima prioridade à construção de linha de bitola ibérica (para velocidades não muito altas) de Vilar Formoso a Aveiro.
O problema dos camionista impedidos de entrar em Espanha, em Vilar Formoso, vêm chamar a tenção para a importância nacional desta linha.
A recente crise dos transportes veio mostrar, com toda a evidência, que a questão prioritária dos nossos Caminhos de Ferro é a da necessidade da bitola europeia para o transporte internacional das mercadorias, e não o dos comboios TGV de alta velociadade.
A construção a curto prazo da linha de bitola europeia de Caia até ao Poceirão (que pode amanhã salvar a Auto-Europa e outras indústrias de Setubal) é um primeiro passo importante.
Temos, urgentemente, de suspender projectos magalómanos, mal pensados e desgarrados, como é o caso da linha pelo vale do Trancão para os futuros TGV que saiam de Lisboa para o Porto. O que precisamos, agora, é de estudar convenientemente projectos não muito caros, integraveis em planos de conjunto, que sirvam para o futuro e que possam a curto prazo melhorar a nossa situação.
É o caso, por exemplo, da linha de Vilar Formoso a Aveiro e de uma linha de bitola europeia pela margem esquerda do Tejo (que poderá, depois, servir para o TGV para o Porto) que pode dispensar a construção do anunciado desvio de bitola ibérica para a linha do Norte a Oeste de Santarém, que tem impactos muito negativos e não tem qualquer interesse para o futuro.
Prolongada pela linha da Beira Baixa com a bitola mudada para a europeia) esta linha (pela margem esquerda do Tejo) pode vir a ser muito importante para a nossa economia por evitar que as mercadorias do Sul do país passem por Madrid. As cerejas da Beira Baixa poderão, igualmente, seguir directamente de comboio para toda a Europa.
Algumas medidas de bom planeamento podem poupar dinheiro mais do que suficiente para ajudar as pequenas empresas de camionagem que lutam pela sobrevivência ( e que alguns economistas parece quererem votar ao desaparecimento). Nesta mini-crise, em paralelo com alguns incómodos que causaram, deve-lhes ser creditado o mérito de chamarem a atenção do país para problemas de fundo que não podem continuar a ser ignorados. (12/6/2008)
António Brotas
Professor jubilado do IST
Classifique este artigo:
Arquivado em:
OpiniãoRespostas
2 respostas ao artigo “A CRISE NOS TRANSPORTES por António Brotas”




A principal critica que se ouve sobre o TGV é ser caro…
Primeiro, não é caro, é até barato!
Por cada milhão de Euros gasto em obras deste tipo o Estado arrecada em impostos (IVA+IRC+IRS dos trabalhadores+ISP do combustível gasto nas obras+outros) mais de 500.000 Euros, muito mais e, como a UE nos devolve parte do dinheiro que mandamos para lá, o custo real da obra (despesas-impostos-dinheiros europeus) fica muito reduzido.
Quanto muito há o problema da manutenção e exploração.
Depois a linha do Norte já está saturada e seria sempre necessário construir outra.
Por fim actualmente levo duas horras e meia a chegar ao Porto e com o TGV poderia fazê-lo numa hora.
O que há a criticar no TGV é o seguinte:
A linha para Madrid parece-me inútil pois será só para os que têm medo de andar de avião.
O TGV será mais caro do que o avião e demorará muito mais tempo.
A linha prioritária é a de Lisboa ao Porto e isto pode ser feito numa hora, o que é criticável é que para poupar uns cobres o projecto seja para uma linha que levará uma hora e quinze.
Para um movimento de uns doze milhões por ano, este quarto de hora representará 3 milhões de horas por ano, isto é, quase o trabalho de 2000 trabalhadores ano.
Mas, o TGV é o comboio do Século XX, o comboio do Século XXI é o Maglev.
E seria neste que se deveria apostar pois poderia fazer a viagem Lisboa-Porto nuns 50 minutos com paragens em Leiria, Coimbra e Aveiro.
Com o Maglev o centro da península ibérica mudar-se-ía de Madrid para a costa atlântica deixando Madrid a ver navios (apesar de ser uma cidade interior).
Bom, mas o Maglev é mais caro do que o TGV. Sim, e depois? Um Governo serve para decidir o que é necessário fazer e depois de decidir arranjar dinheiro para o fazer.
Outro dia o Sócrates disse que estava a fazer o possível. Perdeu para sempre o meu voto, eu não quero um Governo que faça o possível, eu quero é um governo que faça o impossível!
A LINHA EUROPEIA É URGENTE, O COMBOIO MAGLEV OU TGV, TERÁ QUE SER EM PONTOS ESTRATEGIOS DO PAIS E ONDE FOR DE MENOR DISTANCIA A VELOCIDADE DOS COMBOIOS DEVE RONDAR OS 280 A 300KM DEVEM. SER CONSTRUIDOS CÁ, QUER PELA EMEF-ALSTOM-SIEMENS OU BOMBARDIER.