Limpar Portugal começando por cima, por Orlando Castro

Por PND em 26 de Agosto de 2009

orlandocastro2

José Sócrates tornou regra de ouro no (mau) reino lusitano a norte, embora cada vez mais a sul, do seu congénere marroquino, que a liberdade dos jornalistas tem de acabar onde começa a dele, mas entende que a dele não tem limites.

Por alguma razão, há já bastante tempo mas sempre com plena actualidade, António Barreto disse que José Sócrates “não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação”.

António Barreto acrescentou ainda, de forma lapidar, que “o primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas”.

Habituado a que os trabalhadores das redacções dos órgãos de comunicação social (Jornalistas são, como é óbvio, outra coisa substancialmente diferente) lhe vão comer à mão, Sócrates não consegue conviver quer com a liberdade de expressão quer com o contraditório.

É por isso que se dá bem com a sua própria sombra, bem como com outras sombras que com ele estão sempre de acordo. Sócrates prefere ser assassinado pelo elogio do que salvo pela crítica. É um direito que lhe assiste. O problema está que quer transformar o país num amontoado de acéfalos e invertebrados portadores do cartão de militante do PS.

O azedume do primeiro-ministro quando vê algum jornalista (eu sei que é raro) reflecte igualmente a frustração que deve sentir por não ter conseguido, embora tenha tentado e continue a tentar, transformar muitos jornalistas nos tais acéfalos e invertebrados ao serviço (bem pago) da sua causa.

Aliás, se este PS voltar a ganhar as eleições, o certo é que acabem todos aqueles que teimam em ser Jornalistas. Se numa legislatura Sócrates fez o que fez, em duas será o fim da liberdade de expressão e da diversidade de opiniões.

O Governo de José Sócrates conseguiu numa só legislatura e sem grande esforço (em muitos casos apenas por um prato de lentilhas), fazer de grande parte da “imprensa o tapete do poder”.

O Governo de José Sócrates conseguiu numa só legislatura e sem grande esforço (em muitos casos apenas por um prato de lentilhas), transformar jornalistas em “criados de luxo do poder vigente”.

O Governo de José Sócrates conseguiu numa só legislatura e sem grande esforço (em muitos casos apenas por um prato de lentilhas), convencer os mais cépticos de que mais vale ser um propagandista da banha da cobra do PS, mas de barriga cheia, do que um ilustre Jornalista com ela vazia.

O Governo de José Sócrates conseguiu numa só legislatura e sem grande esforço (em muitos casos apenas por um prato de lentilhas), convencer os jornalistas que devem pensar apenas com a cabeça… do chefe (socialista, obviamente).

O Governo de José Sócrates conseguiu numa só legislatura e sem grande esforço (em muitos casos apenas por um prato de lentilhas), mostrar aos Jornalistas que ter um cartão do PS é mais do que meio caminho andado para ser chefe, director ou até administrador.

Voltem a dar-lhe a vitória e depois vão ver a liberdade a apenas tentar sobreviver nos córregos sinuosos da recordação.

Com a devida vénia ao Alto Hama

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