Orientação Política, por Paulo Freitas Lopes
A nova direcção deve começar por identificar bem o espaço político do nosso Partido, e esse espaço passa pelo descrédito que atingiu a actual classe política.
Temos de apresentar um Partido realmente diferente, porque os velhos partidos políticos estão desacreditados pela sua demagogia, pela chicana política, pelo oportunismo, pelas obsoletas ideologias do século XIX, pelos deprimentes espectáculos na Assembleia da República e fora dela, e sobretudo pela ignorância dos verdadeiros problemas da sociedade actual.
Os portugueses necessitam de algo diferente. Torna-se por isso necessário, definir a imagem do “partido que o país gostaria de ter”.
Vamos ser pragmáticos, avaliar o impacto da nossa integração europeia e determinar quais são os problemas fundamentais do nosso país. Temos um atraso económico e continuamos a divergir em relação á Europa, com uma educação deficiente, com uma débil estrutura económica, administrativa e social. Continuamos a cometer excessos, e o nosso Primeiro Ministro congratula-se com um crescimento economico à custa do aumento do consumo.
É preocupante a incapacidade dos nossos dirigentes, para compreender os verdadeiros problemas que o país terá de enfrentar no futuro com a integração dos Países de Leste na Europa comunitária, com o aparecimento de novas potências económicas, como a China e outros países asiáticos, e com a tão necessária e penosa restruturação das políticas sociais.
O País está farto da política e dos políticos. Já se fala em “fim de regime”.
O sucesso da Nova Democracia, passa pela sua capacidade de definir uma nova política que satisfaça os verdadeiros interesses e ansiedades do País, de forma objectiva e pragmática, sobretudo com menos carga ideológica, até atendendo ao deficiente nível cultural das nossas elites.
Paulo Freitas Lopes



