PORTUGAL DE ALÉM FRONTEIRAS, por J. JORGE PERALTA

Por PND em 26 de Agosto de 2009

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Réplica a uma crônica equivocada
UMA CONTROVÉRSIA QUE ABRE CAMINHOS

1. Após ler uma crônica no Expresso, bem elaborada, literariamente criativa, assinada por Henrique Raposo, sob o título “TRÊS PORTUGAIS”, fiquei preocupado com a linha persecutória e discriminatória, com certo tom beirando o fascismo, que o autor veiculou na imprensa.

Se o texto fosse publicado no Brasil, contra negros, judeus, ou qualquer outra comunidade, também contra portugueses, talvez fosse enquadrado como racismo, como discriminação e punido como crime inafiançável.

2. O Sr. Raposo que me desculpe mas deveria ser convidado a assinar um “Termo de Ajustamento de Conduta”, ao menos mentalmente, e pedir desculpa aos emigrantes de sua terra, por sua ofensa explícita. Aliás, acho que deve tomar essa atitude por vontade própria, pois, claramente, é uma pessoa preparada. Apenas teve uma incontinência verbal. Acontece.

Pedir desculpas, quando a gente erra, é atitude cidadã.

Como o texto é público, tomo a liberdade de criticá-lo publicamente, dentro do contexto nacional, a partir da forma como vejo a situação.

3. Aproveito a oportunidade para fazer uma reflexão mais abrangente sobre Portugal de Além Fronteiras, espalhado pelos cinco continentes, e seu grande potencial.

Não temos dois ou “três Portugais”. Os portugueses do Continente e Ilhas e os emigrantes até a 3ª Geração, formam um único Portugal: o Portugal Continental, Insular e da Diáspora. O que sair deste quadro é discriminação. As fronteiras
morais são mais ofensivas do que as muralhas físicas. A Constituição não condiciona a cidadania à conta bancária de ninguém.

Portugal é uma Nação Una e Indivisível.

Os humanos nascem todos iguais, potencialmente, independentemente da condição econômica da família. O que os diferencia é a educação e as oportunidades que a vida lhes oferece. Somos todos iguais no nascimento mas diferentes na fortuna.

Assim sendo, não receio em afirmar que, muitos dos portugueses que saem têm mais oportunidades do que os que ficam. Por isso, entre os que saíram, os emigrantes, proporcionalmente temos muitas pessoas de mais sucesso do que as que ficaram. Até melhor preparadas. (Conteste quem puder).

O mundo e a vida não são lineares, como o Sr. Raposo parece pensar, na crônica.

4. Devo dizer enfaticamente: emigrar é honra e não desonra, como o articulista sugere.

Inúmeros homens, na história recente, nasceram em famílias rurais e se projetaram em grandes missões. O mundo, até 50 anos atrás, era predominantemente rural. E o mundo rural é fantástico. Ou não é?

O Presidente Obama, dos EUA , é de origem rural. E os nossos?

Em Portugal não é diferente; apenas alguns se mascaram.

Enfim, a maior riqueza dos humanos é a educação e o caráter e não os bens herdados da família ou amealhados, ou a nossa conta bancária.

Quem vive no asfalto não tem direito de desdenhar de quem procede do mundo rural, que era a realidade de 95% de nossos antepassados recentes, em Portugal e em todo o mundo civilizado.

As pessoas “do asfalto” certamente não são mais felizes, nem têm mais saúde e bem-estar do que as pessoas do mundo rural. A civilização do asfalto é uma grande sedução e uma grande ilusão (Questão discutível, não é?). Precisamos rever nossos mitos e nossos complexos.

Precisamos reconsiderar nossos conceitos e preconceitos em relação ao moderno progresso tecnológico, do qual também não podemos desdenhar. É uma realidade a ser integrada em nossas vidas, com os devidos cuidados.

Para mais considerações, leia também

www.tribunatropical.blogspot.com

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