Um certo estado d’alma, por Rui Manuel Brás
Portugal deprime quem olhe para a sua realidade.
Primeiro pensei que fosse da chuva, do frio, enfim, do Inverno meteorológico. Depois percebi que não, que a responsabilidade estava num outro Inverno, o do descontentamento, do nosso descontentamento com a realidade visível e oculta de Portugal.
Hoje em dia, olhar para o meu país é uma fonte de depressão. A culpa não é, de facto, do clima, por muito rigoroso que seja este Inverno. A culpa está naqueles que, devendo servir desinteressadamente Portugal, o transformaram numa coutada onde prevalece a corrupção moral e material, a mediocridade, o Mal.
Olho para o meu país e penso no futuro que terão os meus filhos, um futuro decisivamente marcado por esta élite política caduca, bestial, que de tudo faz para se manter no ou alcandorar ao poder; olho para o meu país e enoja-me certo jornalismo, as incoerências do sistema judicial, a injustiça social, o triunfo da estupidez ainda que disfarçada de competência; incomodam-me ainda aqueles que contribuiram para este estado e agora se arvoram em campeões da ruptura, só porque essa é a palavra certa para ganhar votos entre um povo que parece ter memória curta; olho para o meu país e recordo a “apagada e vil tristeza” de que já Camões falava.
Confesso que sinto saudades do Futuro que Portugal merece e que apenas outros, que não estes políticos, podem concretizar. Vem-me à memória o verso de Fernando Pessoa que denuncia: “Ó Portugal, hoje és nevoeiro…” e o meu país está de facto envolto na opacidade a que o votaram estes homens e estas mulheres que o têm (des)governado.
Mas se isto é assim, é também a Hora de acordarmos e tirarmos da frente dos olhos o véu com que nos querem cobrir a realidade: um Portugal doente, asfixiado, que precisa urgentemente de ar fresco, de gente nova com ideias novas para o levar no caminho do Futuro.
Portugal precisa de todos nós!
Rui Manuel Brás
12 de Fevereiro de 2010



