Voz alternativa, por RUI MANUEL BRÁS
Numa época tão mediatizada como a nossa é difícil não ver/ouvir/ler constantemente os membros da élite política nacional. Infelizmente… Digo isto porque sinto um enorme cansaço em relação a esses senhores e senhoras que conduziram o País à presente situação. Creio que esse sentimento é partilhado por muitos Portugueses. Não alinho, porém, nos que demonizam José Sócrates e, por interesse estratégico, lhe assacam a responsabilidade por tudo o que de mau tem acontecido a Portugal. Na “Barca do Inferno” de Gil Vicente têm lugar muitos mais e de vários quadrantes político-partidários.
Nem o PSD, nem o CDS estão isentos de culpa! Como direita meramente partidária, que não ideológica (se é que ainda têm ideologia…) governaram de forma hesitante quanto às reformas necessárias, foram incompetentes em muitas situações, insensíveis aos sinais dos tempos. São partidos que, tirando-lhes a fachada e um ou outro tópico, não apresentam grandes diferenças em relação ao PS. Então quando toca a blindar o seu poder…
Os Portugueses estão entre a espada e a parede: sendo o PSD o partido em melhores condições para ser alternativa, na realidade não o é. Tire-se do poder o PS e teremos mais do mesmo, provavelmente até com o mesmo frisson mediático que têm marcado a arena política nos últimos cinco anos.
O futuro não se apresenta risonho, portanto. Isto significa que se mantém a necessidade de uma voz realmente alternativa, que diga a verdades aos Portugueses, que lhes aponte caminhos orientados por um pensamento estratégico e não meras panaceias imediatistas. A Nova Democracia tem sido essa voz, se bem que silenciada pelos poderes estabelecidos.
Não sei o que vai suceder no próximo congresso do Partido, mas, a meu ver, impõe-se uma profunda reflexão, não tanto sobre a ideologia ou o programa político, mas principalmente sobre os métodos e as práticas a assumir se quisermos continuar a ser a tal voz alternativa.
Rui Manuel Brás



