Afastamento da sociedade portuguesa de Portugal
| Andamos alegremente a ironizar sobre o vicio de tabaco do primeiro-ministro. José Sócrates desculpa-se estilo “menino da escola primária”. Triste sina a nossa que nem conseguimos ter um chefe de governo que assuma as consequências de não ter cumprido a lei…. Será que não entende que teria de dar o exemplo? Assumia, pagava a multa e assunto encerrado. Agora esta “fantochada” do “vou deixar de fumar”; “senti-me mal mas não foi da abstinência” demonstra claramente que não está à altura de ser chefe de governo quanto mais não seja porque não é um bom cidadão. |
| Andamos alegremente a comentar as consequências do apito final. Juízes de um tribunal desportivo andam acompanhados de segurança do estado com medo de represálias de adeptos ou dirigentes desportivos de um ou mais clubes. Não sabemos viver com a justiça em Portugal? Nem que seja pelo menos a desportiva? Já nem falo da justiça criminal onde processos como o da casa pia se arrastam por anos, ou pedófilos que saem em liberdade por cumprirem o limite de tempo de prisão preventiva. Um estado sem Justiça não é um estado Justo.Andamos alegremente a assistir à luta pelo poder no PSD. Esquecemo-nos rapidamente que se trata somente da luta de poder pelo poder. Quem sairá vencedor terá sempre um partido a pensar no próximo líder após as eleições de 2009. Qual o verdadeiro fundamento de cada um? Lembra-me um pouco a “tomada” de liderança do CDS por parte de Paulo Portas: Tudo isto “cheira” a lugares… Um diz-se social democrata, outro liberal social, outro populista mas ninguém afirma peremptoriamente que quer modificar o sistema politico.
Andamos alegremente a ouvir as estatísticas da nossa economia. Na semana passada soubemos que o nosso crescimento para 2008 não seria 2.2% mas sim 1.5%. O governo ficou mal na fotografia. Mas logo a seguir veio os números do desemprego: Baixou 0.8% em comparação com o 1º trimestre de 2007 para 7.6%. Só que números são números. As estatísticas lemos como queremos e hoje já veio a justificação: 32.000 desempregados desistiram de procurar emprego e passaram a inactivos para efeitos de estatística. Ou seja se fossem contabilizados aos 427.000 desempregados teríamos uma taxa acima dos 8%, outra vez. Isto é preocupante. Mas o que mais me preocupa é que 32.000 portugueses, maioritariamente jovens, consideram que ou não teem qualificações para se empregarem ou desistiram de procurar emprego na nossa economia por acharem que a mesma dificilmente lhes criará emprego. Com isto tudo só posso pensar que muito mal vai esta nossa Nação que vive constantemente enganada por quem nem tem a capacidade para nos governar. Com isto só posso acreditar que 32.000 portugueses desistiram pura e simplesmente de Portugal. Será que ninguém faz nada? Neste momento não se trata do afastamento da sociedade da politica, trata-se, isso sim, do afastamento da sociedade portuguesa de Portugal. Évora, 19 de Maio de 2008 João Mota Ferreira |



